INVESTIMENTOS DE VALOR

Diversas vezes eu sou abordado com perguntas a respeito de métodos de investir, ou sobre investimentos “perfeitos.” Estes últimos, na cabeça do investidor, são aqueles que trariam retornos gordos com riscos bem baixinhos. Como já falei excessivamente, esses não existem. Agora, sobre formas de aplicar o dinheiro, isso, sim, possui uma literatura vasta.

Se todo mundo gosta de opinar sobre decisão de juiz ou time de futebol, quando se fala em métodos de investir não é muito diferente. Todo mundo tem “a fórmula perfeita”, o ativo “secreto”, o “melhor jeito de investir”.

IPO do facebook na NASDAQ

Todos os métodos científicos e empíricos possuem seus prós e contras. A análise técnica, por exemplo, baseia seus pontos de compra e venda de ativos no comportamento passado do mercado. Ela espera que as mesmas decisão sejam tomadas no futuro quando situações análogas acontecerem. Sendo assim, se aplicado com disciplina, eliminando-se o efeito “racional” do investidor, o método pode ser vencedor, até que o padrão de tomada de decisões mude.

Já a análise fundamentalista toma como preceitos para investimentos observar os rumos da economia e das empresas para, então decidir se compra ou vende um papel.

O gatilho para estes eventos pode ser um múltiplo de balanço, dados econômicos, tendência de comportamentos dos atores econômicos (como os compradores e vendedores tomam suas respectivas decisões), medidas de Governo (regulamentação ou desregulamentação de mercados), etc.

Não obstante à vasta literatura científica sobre como tomar decisões de investimentos, é comum aparecerem métodos “heterodóxos”, para ser politicamente correto. São decisões tomadas pelo modismo ou achismo, sem nenhuma comprovação de que funcionam, ou justificativa econômica de que são válidos. Acontecem simplesmente por acontecerem, como se fossem obra do Divino Espírito Santo. Vou dar exemplos.

Nos idos de 2007-2010, quando eu era operador de Bolsa, acontecem diversos IPO’s (ofertas públicas iniciais de ações) na antiga Bovespa, hoje B3. Como o mercado estava aquecido, todo mundo queria investir em IPO (lê-se “ai-pi-ou”).

Podia ser empresa de cartão de crédito, ou de milhagens. Indústria pesada ou tecnologia. Não importava. O cliente estava feliz se entrasse em algum IPO. Qualquer um. E ele queria por que o preço da ação “sempre subia”.

O “sempre” é uma desgraça. Ele é “sempre” até que não seja mais. E ai, quando mudou o padrão, nenhum IPO prestava mais. “IPO é uma loteria”. “Só perdi dinheiro com IPO.”

Gráfico de Penny Stock

A verdade é que estavam investindo pelas razões erradas. Primeiro: entravam em ações para curto prazo se desse lucro, e longo prazo se desse prejuízo. Segundo: não eram analisados os fundamentos econômicos do momento e os dados das empresas. Terceiro: investiam por que o “amigo disse.”

A verdade, é que os investidores, principalmente os de primeira viagem, ou “pseudo investidores”, querem aplicar a Lei de Gerson para tudo. Ou, a Lei do Menor Esforço. Não querem estudar e entender o mercado. Muito menos as empresas nas quais estão colocando seu dinheiro. Querem um método mágico, que possam olhar por 5 minutos e ganhar milhares de porcentos.
E assim podemos repetir esta história com as opções, com as “penny stocks” (empresas cujo preço das ações é muito baixo, realmente, centavos), bolha da tecnologia, arbitragem de moedas (FOREX), moedas eletrônicas (BITCOIN), etc.

Investe-se por investir. Coloca-se dinheiro naquilo que é mais facilmente digerido. “Se é assim, então é assado.” Afinal, ler, estudar, ir a cursos e palestras dá trabalho. Comprar ações no IPO, não.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

catorze − seis =