VOCÊ RESPEITA A SI MESMO?

Nos dias de hoje é comum nos depararmos com depoimentos, vídeos, fotos, e-mails de pessoas aclamando pelo respeito ao próximo. “Respeite os animais”, “respeite os casais do mesmo sexo”, “respeite o índio”, “respeito o negro”, e assim vai. Muitos estão apenas na onda, pois parece que virou moda ser “engajado” e pecado ser “alienado”, muito embora estes últimos também necessitem da sua compreensão. Mas, afinal, como esperar que todos respeitem o próximo, independentemente de quem este seja, se, muitas vezes, não respeitamos a nós mesmos?

Após minha última prova, o Ironman, tirei três semanas de férias dos treinos. Precisava de um tempo para me reestruturar profissionalmente, visto que mudara de emprego; queria avaliar a prova, o que ficou dentro do esperado, o que ficou fora e como poderiam ser mudado para melhor. Além disso, precisava traçar novos objetivos, novas metas. Quando isto estava pronto, voltei aos treino, depois de três semanas parado. Resultado: fora de forma, sem fôlego e sem ritmo. E, nestes momentos, é que devemos aprender a respeitar o que nosso corpo nos diz.

Quando voltei a treinar, procurei um local para praticar natação indoor, pois, no fim das contas, um dos objetivos para o próximo desafio é melhorar a técnica nesta modalidade, o que é muito difícil praticando-se apenas no mar. Ademais, a piscina termina é uma boa saída para treinos em nosso inverno de 7 graus. Em um primeiro momento, achei ruim que próximo da onde eu moro não haja nenhum clube com piscina de 25 metros. A maior é de 15 metros. Mas, depois de três semanas na esbórnia, a aula experimental foi quase tão dura quanto meu primeiro Sprint Triathlon. Dois dias após, foi a vez da corrida. Um treino programado para 8km transformou-se em 4km, depois de sentir leve desconforto no joelho direito. Por fim, para completar o esporte, da mesma forma, o treino de ciclismo de 50km foi interrompido no 40km por falta de condicionamento físico.

Muitas pessoas, principalmente aquelas que treinam em grupo, talvez se sentissem desconfortáveis em parar o treino no meio, pois gostariam de acompanhar seus colegas. Outras, poderiam forçar seu corpo por acreditar que estavam performando abaixo do esperado, de forma a comparar o desempenho atual, pós-férias, com o anterior, em plena fase de treinamento para uma prova. Não precisa ser especialista para dizer que tais comportamentos podem piorar ainda mais a situação. Nosso corpo precisa de um tempo para voltar ao que era, para poder fazer o mesmo nível de esforço que fazíamos quando estávamos no auge dos treinamentos. Precisamos entender e respeitar nossos limites. Isso não quer dizer que devamos aceitá-los. Mas compreender nossa capacidade atual é condição sine qua non para definirmos a estratégia correta para alcançar nossas metas que, muitas vezes, estão muito além de nossos limites. Essa postura serve para tudo: para as situações descritas no início do texto, para traçar estratégias empresariais (não importa o tamanho do negócio), para vencer a si próprio na próxima prova. Então, na próxima vez que você exigir o respeito de alguém, verifique se você respeita ao seu corpo, a sua mente. Respeite a você mesmo.

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