UBER – 3 LIÇÕES DE UM MOTORISTA

Todas as vezes que uso os serviços da Uber, procuro conversar com o motorista para entender sua realidade, o que o fez escolher esta profissão e medir a temperatura da economia. Hoje, em São Paulo, a conversa rendeu diversos aprendizados que compartilho aqui.

A SUA LIBERDADE É CONDICIONAL

Uma das grandes bandeiras da Uber é que os motoristas podem fazer a carga horária que desejarem, ou seja, trabalham quanto, quando e como quiserem. O motorista que me atendeu hoje, que vou chamá-lo aqui de Fabiano, entretanto, já entendeu que esta “liberdade” é condicionada ao que o funcionário da Uber deseja.

Me impressionou a leitura que Fabiano fez desta situação. Ele sabe que não é “tão livre assim” para trabalhar, afinal, ele tem contas a pagar e sonhos a conquistar. Então, ele mantém um conjunto de metas macro (faturamento mensal, horas de trabalho, número de corridas) e quebra elas em micro-metas semanais e diárias.

É a mais pura engenharia reversa. Sabendo quanto ele quer/precisa ganhar por mês, ele faz a conta de trás para frente, utilizando as médias de corridas e faturamento que tem. Ele entende que sua “liberdade” começa apenas de suas metas serem atingidas. Até lá, ele é “obrigado” a trabalhar.

VOCÊ FAZ SUA OPORTUNIDADE

Fabiano começou a trabalhar com Uber depois que perdeu seu emprego. Em meio a crise econômica, juntou-se aos milhões de brasileiros que foram demitidos e tiveram seus empregos destruídos. Ele tinha, então, duas opções: encostar no seguro-desemprego ou procurar uma alternativa.

Foi ai que conheceu mais sobre a Uber e viu que isso poderia, momentaneamente, lhe ajudar. Ele tem pra si que esta não é sua profissão, mas algo que faz agora para poder se manter de pé. Seu trabalho, mesmo,  é ser professor de informática.

Esse pensamento de Fabiano, infelizmente, não é o mais comum em nossa sociedade. Com um Estado gigantesco, totalmente endividado por seu excesso de gastos, somos acostumados desde cedo a receber tudo de mão beijada, e com isso, “aprendemos” que somos “merecedores” de tudo, independentemente de nosso esforço.

Se não temos emprego, ganhamos bolsas; se somos de grupos sociais, temos cotas; se perdemos emprego, ganhamos salário do governo; se fazemos concurso público, não podemos ser demitidos e temos direito de SEMPRE mantermos nosso emprego, independente da eficiência ou crise do Estado.

São poucas as pessoas que buscam fazer sua oportunidade. Muitos esperam algo acontecer: ser empregados, ganharem uma promoção, etc.

O empreendedor cria seu emprego, desenvolve sua oportunidade, monta seu futuro. E, no final, é chamado de “sortudo”.

EXCELÊNCIA É TUDO

Na conversa de 20 minutos que tive com Fabiano, ele compartilhou seu pensamento de que um dos grandes fatores de sucesso da Uber é o péssimo atendimento do serviço de Taxi. Na sua opinião, a Uber é preferida hoje pois está mais capacitada a atender aos desejos do consumidor com excelência.

E neste sentido, a Uber é ultra-democrática. O consumidor avalia e, se o motorista é ruim, pode ser penalizado e até desligado do serviço. Não há nada mais justo do que o livre mercado. Aqui se faz, aqui se paga.

FUNDAMENTOS

Fabiano me fez refletir que os fundamentos do sucesso são iguais, não importa seu salário, seu cargo ou aonde você trabalha. Se você se limitar ao que foi contratado para fazer, não espere atingir mais do que o que lhe foi prometido. Para exceder às suas expectativas, você precisa exceder às expectativas.

Existem duas coisas que você é obrigado a fazer na vida, além de pagar impostos: a primeira é descobrir o que quer fazer. A segunda, é trabalhar o mais duramente possível para realizar o que deseja fazer. Nada pode lhe limitar: nem dinheiro, nem tecnologia, nem condições alternativas. A oportunidade nunca simplesmente aparece. Ele precisa ser criada. E isso só acontece com muito trabalho.

Por fim, não adianta querer ser mais um em meio à multidão. Se você deseja ter uma marca de roupas esportiva, você não deve tentar ser a Nike, ou a “segunda” Nike. Você deve trabalhar para se destacar dentro de um nicho e ser o melhor que pode ser dentro dele. É uma mistura de criar a oportunidade com ser excelente.

Se você quer ter sucesso num mundo de 6 bilhões de pessoas, você precisa ser uma anomalia, assim como o Uber foi há 3 anos.

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