“Não ligue para os críticos. Eles vêem o resultado, mas não vêem o esforço.”

Adolescência (1997-2003)

Até meus 12 anos, tinha uma vida sem surpresas. Filhos de pais carinhosos e trabalhadores, estudava num dos melhores colégios de Florianópolis. Em 1995, a implantação do Plano Real foi um choque para famílias de classe média. Rapidamente o poder de compra se deteriorou e as condições da economia mudaram a vida de muitos.

Com a nova realidade brasileira, assim como muitos outros, meus pais não tiveram escolha senão tirar-nos da escola particular e nos matricular em um colégio estadual. Em 1997 passei a estudar no Colégio Estadual Simão José Hess. Foi um choque, de fato, mas lá aprendi muita coisa que de dentro dos muros particulares dificilmente não teria acesso.

Meus novos colegas tinham histórias muito mais dramáticas que a minha. Nunca haviam estudado em colégios particulares e suas famílias, na maioria, eram muito humildes, porém, nem por isso deixavam de passar excelentes valores aos seus filhos. Lá fiz fortes amizades que perduram até hoje.

Huáscar, Graziela, Daniel, Juliana, Vinícius, Ana Paula, Manoela e Jorge. Turma carinhosamente apelida de de "Os Traíras."
Huáscar, Graziela, Daniel, Juliana, Vinícius, Ana Paula, Manoela e Jorge. Turma carinhosamente apelida de de “Os Traíras.” Colégio Estadual Simão José Hess. Anos: 1997-2000.

No ano 2000, quando cursava o segundo ano, comecei a me preocupar com o “Terceirão” e o vestibular. Minha preocupação era de que no colégio público, infelizmente (essa é a realidade até hoje) não teria acesso a um ensino de qualidade para poder entrar numa faculdade. Ai aprendi a engolir o orgulho e pedir ajuda das pessoas.

Uma vizinha minha trabalhava na Secretaria de Educação. Naquela época, existia uma bolsa de estudos para egressos de colégios públicos para estudarem em instituições particulares. Sem medo, pedi para ela me ajudar. Essa ajuda não foi “apadrinhamento”, apenas auxílio para preencher os formulários e dar entrada no processo. Após uma entrevista, consegui uma bolsa de 50%.

Estava ansioso com o primeiro dia de aula, pela grossura do material que havia recebido no momento da matrícula. Após 3 meses de férias, era hora de conhecer a nova realidade. E ela não foi branda. Quando bateu o sinal ao meio dia, peguei meu ônibus e fui para casa. No meu quarto, pensei: “se eu não começar a estudar hoje, eu não vou conseguir.”

Foi então que comecei a, realmente, ter gosto pela leitura e estudo. Criei uma rotina, e todos os dias, após o almoço, revisava as aulas da manhã e resolvia uma bateria de exercícios de cada matéria. Ao final do dia, ia para academia, tocava guitarra ou me reunia com amigos.

Foi o momento que mais ganhei disciplina. E isso carrego até hoje. Aprendi que, quanto mais coisas temos para fazer, mais tempo achamos para completá-las. O ócio, quando não é criativa, é retroalimentado. Ao não fazermos nada, nunca temos tempo para começar algo.

Turma M32 - Formatura do Terceirão do Colégio Energia, 2001.
Turma M32 – Formatura do Terceirão do Colégio Energia, 2001.

Universidade (2003-2008)

Ao passar no Vestibular para Economia, desde o primeiro dia sabia que tinha escolhido o curso correto. Aos 17 anos, tomar a decisão do que fazer para o resto da vida é uma responsabilidade muito grande. Olhando para trás, não sei se eu tinha condições disso. Pode ter sido sorte.

O curso me conquistou pelo dinamismo. Economistas podem cuidar de empresas e de países, ao estudar o funcionamento da Micro e da Macro economia. Peca na parte de execução, mas a teoria é excelente. Se o estudante tem perfil empreendedor, é um prato cheio para abertura da mente e criação de novos sonhos.

Primeiro Emprego – Unicred Central de Santa Catarina (2004-2008)

Já na terceira fase do curso comecei a fazer estágio no Departamento Financeiro da Unicred Central de Santa Catarina. Trabalhava na área de gestão de investimentos. Me apaixonei pelo assunto e não parei mais. Iniciando como estagiário, as tarefas repetitivas foram importante para o aprendizado e imersão no Mercado Financeiro. Porém, como sempre tive o perfil curioso, me colocava à disposição de todos para me envolver o máximo. Assim, criei relacionamento não só com o Depto. Financeiro, mas também com o Contábil e Marketing. Esta fase ajudou muito a moldar meu pensamento holístico.

Rapidamente, cerca de 5 meses após iniciar, deixei de ser estagiário e fui contratado. Primeiro registro na Carteira Profissional. Me lembro até hoje: salário de R$ 690,00. Uma fortuna, conquistada como muita dedicação. O tempo passou, as responsabilidades aumentaram e pouco tempo depois era responsável pela administração de uma carteira de R$ 400 milhões de títulos de renda fixa. A paixão pelo Mercado Financeiro se consolidou ali. No total, fiquei na Unicred por 5 anos, até que sai em busca de novos desafios.

Mercado de Ações e Consultoria de Investimentos (2008-2012)

Após uma breve passagem pelo Banco Real, abri minha própria empresa de investimentos juntamente com mais dois sócios. A Bravo Investimentos, empresa de corretagem de bolsa,  foi meu primeiro empreendimento próprio. Ali expandi meus estudos e conhecimento sobre mercado financeiro. Mesmo enquanto sócio, no início da empresa trabalha como auxiliar dos meu sócios, pois ainda precisava aprender muito sobre mercado de renda variável. Ao poucos, passando por ações, opções e até mercado futuro, conquistei conhecimento e experiência. Em 18 meses já era responsável por montar as estratégias de investimentos, e foquei-me em operações estruturadas de Long-Short.

Dois anos depois de montar a Bravo, logo após terminar a pós graduação em Gestão de Investimentos, me qualifiquei junto à Comissão de Valores Mobiliários como Consultor de Valores mobiliários e montei a Saber Investir, empresa de consultoria de investimentos, ao mesmo tempo em que lecionei na Universidade Federal de Santa Catarina, Faculdades Borges de Mendonça e Pós Graduação Uniasselvi, entre 2009 e 2013.

Palestra da Saber Investir para Credcrea - Oportunidades de Investimento, 2011.
Palestra da Saber Investir para Credcrea – Oportunidades de Investimento, 2011.

Movimento Paralelo – Volta às Aulas (2009-2014)

Enquanto ainda cursava o MBA em Gestão de Investimentos, certa vez, juntamente com outros colegas, estava estudando para uma prova que aconteceria no final de semana seguinte. Em certo momento, me dirigi ao quadro da sala na qual nos encontrávamos para melhor explicar o conteúdo. Cerca de duas semanas depois, um grade amigo, que também era colega de turma, me ligou e pediu para que eu lecionasse um curso para os funcionários da Cooperativa de Crédito em que era Gerente.

Em um primeiro momento, achei a ideia incansável. Acreditava não ter o perfil para isso. Recusei. Porém, depois de mais algumas insistências do colega, aceitei o desafio: preparei o curso para a prova de certificação profissional da ANBID e  dei minha primeira aula. Aparentemente, os alunos gostaram. E eu também.

No último trimestre de 2008, vi que haveria uma prova para professor substituto na Universidade Federal de Santa Catarina, aonde eu havia me formado há cerca de 6 meses, mas não tomei nenhuma atitude e apenas marquei na minha agenda o último dia da inscrição. Esqueci do assunto. Até que meu alarme do celular tocou.

Faltando cerca de uma hora para encerrar o período de inscrições, eu peguei meu carro e sai do Centro de Florianópolis e fui até a UFSC para me inscrever para o concurso. Era uma quinta-feira. A avaliação seria em três etapas: 1) avaliação de currículo; 2) conhecimento específico; 3) didática.

Na sexta-feira houve um sorteio do tema cujo deveríamos apresentar uma aula de 20 minutos dali três dias. Ou seja. teria apenas o final de semana para estudar, preparar material e apresentar a aula. O destino falou mais alto e o tema sorteado, coincidentemente, era o mesmo do curso que eu havia dado para a Cooperativa de Crédito.

Fiquei em terceiro lugar, com nota máxima na didática e conhecimento, porém, perdendo pontos para os demais que tinham grau de Doutorado e Mestrado.

Em maio de 2009, outra vaga foi aberta e me chamaram, como estava na reserva. Ali fiquei por 4 semestre, lecionando as cadeiras de Desenvolvimento Econômico, Mercado de Capitais e Economia de Empresas.

Não desejando parar por ai, em 2010 passei a dar aulas na Faculdade Borges de Mendonça e fiquei até dezembro de 2013. Nesta faculdade, lecionei Matemática Financeira, Análise de Investimentos, Economia e Economia Internacional.

Sempre ligado às áreas de Economia e Finanças, em 2012 fui convidado para começar a dar aula na Pós Graduação da Uniasselvi, nos campus de Balneário Camboriu, Itajaí, Joinville e Blumenau.

Durante todo esse período, também, palestrei para diversas empresas com o tema “Cenários Econômicos e Oportunidades de Investimentos.”

Foi uma experiência incrível. Vi calouros se formarem. Vi alunos se tornarem professores.

Em 2014, todavia, em busca de novos desafios, abri mão, temporariamente, desta ocupação e dediquei-me à área de Private Equity e Real Estate (investimentos imobiliários).

Somma Investimentos (2012-2014)

Após quatro anos de empreendedorismo, os meus objetivos já não batiam com dos meus sócios. Foi quando resolvemos nos separar. Neste momento, a Somma Investimentos me convidou para fazer parte do seu quadro, como Analista de Investimentos, responsável por implantar na empresa a Investimentos na Economia Real, que tinha como propósito comprar participação em outras empresas e desenvolver projetos de investimentos imobiliários.

Por dois anos permaneci na Somma. O projeto para o qual havia recebido desafio estava em pleno funcionamento. Até minha saída, a Somma já tinha feito investimento em uma empresa do setor farmacêutico e estava às vésperas de iniciar seu primeiro fundo imobiliário. Porém, no segundo trimestre de 2013, durante uma sessão de treinos para o Ironman, recebi um convite para um grande projeto, e não pude dizer não.

Tross Construtora (2014-2015)

A Tross Construtora estava com objetivo de começar a construir em Miami, nos Estados Unidos. Desde os 13, 14 anos eu tinha o desejo de morar fora do país, de forma que ao longo desse período havia me preparado, e desenhado minhas oportunidades, para este momento. Estudei inglês, influenciado pelos meu pais, e espanhol e francês, por incentivo próprio. Já havia feito incursões internacionais pela Alemanha, Inglaterra e Paquistão. Mas o sonho de morar em outro país ainda não havia sido realizado. Então, quando o CEO da Tross me fez o convite, não recusei. Era uma da madrugada quando mandei uma mensagem pelo WhatsApp: “se fores para os EUA, e precisares de alguém de confiança, pode contar comigo.”

Em maio de 2014 entrei na Tross com dois objetivos. Ajudar na reestruturação do departamento financeiro da empresa e desenvolver o projeto para o exterior. Em outubro do mesmo ano, com o primeiro objetivo 60% já concluído começamos nossos trabalhos na terra do Tio Sam. Depois de algumas viagens e coletarmos todas as informações que precisávamos, decidimos dar o próximo passo. Nesse momento, a reestruturação do Financeiro já estava 98% concluída e um novo CFO havia sido contratado. Em junho de 2015 aterrissávamos na Flórida para iniciarmos a Tross International com dois projetos em Bay Harbor Islands: “One by Tross” e “Infinity Residence.”

O que acontece a partir de agora, são “cenas dos próximos capítulos.” E sempre em busca de novos desafios, escrevemos as páginas da nossa vida.