OS ERROS QUE COMETI NO IRONMAN 2015

Engana-se quem pensa que o Ironman é a maior competição esportiva realizada em um dia. Uma prova dessas começa muito antes. Muitas vezes, antes mesmo de o atleta ter a certeza de que vai participar. 

corridaAs pessoas mais responsáveis costumam se preparar por mais de um ano para uma prova de Ironman. Não é do dia para a noite que alguém vai acordar às cinco da manhã para nadar 3,8 km, pedalar 180km e correr mais 42,195km. O corpo, e, principalmente, a cabeça, precisam estar preparados para tamanho desafio. E eu cometi alguns erros na minha jornada para 2015. Espero aprender com eles.

1 – (Inconscientemente) Subestimar a prova

Todo mundo que faz uma prova de Ironman é maluco; tem um quê de megalomaníaco. E depois que começam a se preparar para o esporte, qualquer 15km vira uma mera “corridinha”. Isso não é normal. O problema, é que para quem pratica o esporte, ele passa a entender que é.

Na minha preparação para o Ironman Brasil 2015, por já ter concluído uma prova dessas, e por ter encaixado duas boas semanas de treinos 30 dias antes, eu me enganava acreditando que a prova seria “tranquila, melhor que a do ano anterior,” a na qual eu havia sofrido muito em decorrência de uma lesão joelho direito poucas semanas antes da prova. Não existe Iron tranquilo. Todos são tensos, nervosos e castigadores. Assaduras, cãibras, dores diversas são o mínimo que podemos esperar. E elas vão acontecer, não importa o quanto você tenha treinar. Porém, praticar, vai fazer com que você saiba com o que está lidando e, no máximo, reduzir seu desconforto.

O Ironman é uma prova dura, dificílima e superlativa em todos os sentidos. O primeiro passo para completá-la com dignidade é sobreviver aos treinos. Afinal, 8.700 calorias gastas num dia são quase quatro vezes mais que o de uma pessoa normal; nadar 3,8 km é mais do que todos os seus amigos não-irons irão nadar a vida inteira, somados; pedalar 180km é inimaginável para a maioria das pessoas; e fazer uma maratona é praticamente “pagar promessa.” 

Precisei errar em 2014, quando fiz o Ironman com apenas 8 meses de preparação, e confirmar esse erro em 2015, faltando a muitos treinos por achar que estava tudo bem. Agora tenho certeza das características da prova. Vou fazer outra quando estiver realmente preparado.

2 – (falta de) Disciplina

Na maioria dos sites, textos e vídeos de motivação, sempre tem alguém que diz: “você é capaz de tudo, basta querer.” Neste caso, “querer” significa estar preparado para pagar o preço para atingir seus objetivos. Na maioria das vezes, esse preço não é monetário, e vai depender da sua capacidade de manter-se nos trilhos.

Temos tempo para tudo. Isto é fato. Organizar-se para que tudo aconteça, é um dom. Você precisa se organizar e não ter preguiça quando coloca uma meta a ser cumprida. Logicamente, quanto mais pessoal e interessante for a meta, mais fácil vai ser você correr atrás para completá-la. Por exemplo, se você não gosta do seu trabalho, e seu chefe lhe dá uma meta que até uma criança de 5 anos faria, a probabilidade de você falhar é muito grande. Do contrário, você não achará desculpas para não realizá-la. A cada problema, uma solução será encontrada pois a determinação o guiará. Você acordará mais cedo, dormirá mais tarde, se tornará flexível para fazer acontecer.

Ambas as situações explicam minhas duas particições em Irons. Durante a preparação para a edição de 2014, eu trabalhava o dia inteiro como Analista de Investimentos e a noite, de 3 a 4 vezes por semana, eu lecionava Finanças em faculdades e cursos de pós-graduação. Não obstante o tempo que os treinos nos consomem, eu desempenhava as minhas funções da melhor maneira possível, sendo constantemente elogiado pelos meus superiores e alunos. Olhando um pouco mais para trás, no meu último ano de faculdade, eu cursava 5 matérias, fazia o Trabalho debikeConclusão de Curso, havia iniciado a pós-graduação e trabalhava 8 horas por dia. E dei conta de tudo, assim como no Ironman 2014. Em 2015 eu não encontrei a balança.

Sendo responsável pela expansão internacional da empresa na qual trabalho, desde outubro de 2014 estava viajando bastante. Praticamente, a cada 45 dias passava uma semana fora de casa. Isso desorientou os treinos e a alimentação, certamente. Mas fazendo uma auto-crítica, penso que perdi a batalha psicológica que nos leva a múltiplas vitórias. Criei uma zona de conforto e me escondi nela. Tenho certeza que tudo que desejamos pode ser alcançado. Basta termos disciplina. A determinação veio antes.

3 – (Abandonar a) Equipe Multidisciplinar

O triathlon é um esporte fantástico. Me apaixonei por três motivos principais. Em primeiro lugar, é uma atividade individual, não precisamos de ninguém para nadar, pedalar ou correr conosco. Claro que em companhia é muito melhor, mas, neste caso, não é imprescindível. O segundo ponto é que eu me enjoo rapidamente de atividades repetitivas. Sempre pratiquei esportes, mas depois de algumas poucas aulas passava a achar monótono. No triathlon isso não acontece. Cada dia é um treino diferente e com uma modalidade diferente. Assim, ele se torna extremamente dinâmico. Por fim, não importa quão bom ou ruim você seja, você poderá participar de provas, sem ter que ficar torcendo para ser escolhido para o time.

Por ser tão dinâmico, muitas coisas influenciam nos treinamentos e performance. Alimentação, recuperação e manutenção do corpo. Uma das atitudes que tomei no primeiro Iron foi contar com uma equipe multidisciplinar para me ajudar. Treinador, nutricionista, preparador físico, ortopedista, fisioterapeuta. O trabalho que time fez por mim garantiu, dentro do possível para alguém que saiu do sofá e foi para um “Full Distance” em oito meses, completar a prova sem maiores problemas. Em 2015, por pecar na preparação, não contei com nenhum deles, exceto o treinador.  E tenho certeza que meu sofrimento durante e pós prova decorreu disso. Não me alimentei direito, estando 6kg mais pesado que no ano anterior; não fiz musculação e fisioterapia de forma adequada, o que garantiu fadiga muscular e nas articulações muito mais cedo. Resultado: mesmo sem lesões, 2h a mais no tempo da prova.

Buscamos sempre evoluir com a identificação nossa deficiências e o treinamento para corrigi-las. Mas o verdadeiro crescimento vem de reconhecermos nossos erros e trabalhar para não repeti-los.

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