OPORTUNIDADES EM PERÍODOS DE CRISE

Alguém deveria fazer um livro, ou guia, com todos os chavões de economia e negócios. Sem dúvidas, o “é durante as crises que se aparecem ótimas oportunidades” estaria lá. Não e de hoje quem em momentos difíceis vemos empresas e empreendedores se destacarem e, praticamente, nem perceberem que a crise passou. Afinal, é quando muitos choram que o vendedor de lenços enriquece.

Joseph Schumpeter usou muitas páginas de seus escritos para mostrar que ciclos econômicos servem para que empresas, processos e economias se renovem. O que não é mais útil, desaparece. As novas necessidades, supridas. E ai, ter uma boa percepção do mercado e entender o que o novo momento econômico pede é o que diferencia os empreendedores dos aventureiros.

Logo em suas primeiras aulas de Micro Economia,  os alunos estudam são os tipos de bens. Dois exemplos são os “bens inferiores” e os “bens substitutos”. Entender o que são e quais são é crucial em momentos como o que o Brasil passa.

Bens inferiores são aqueles em que, quando a renda de uma pessoa aumenta, ela deixa de consumi-lo. Um exemplo clássico dos livros de economia é o transporte público. Quanto maior a renda, menos as pessoas tendem a consumi-lo. Isso se dá em praticamente todas as instâncias. Do ônibus/metrô, passa-se a usar carros. Da passagem Econômica, pula-se para a Executiva, para o jato fretado ou para o próprio avião.

Entretanto, nem só da elevação de renda vive a economia. Sabemos que é impossível uma economia seguir uma trajetória de alta ininterrupta. Até mesmo a Austrália, que registra 24 anos sem recessão, em alguns anos cresce mais, em outros, menos. E nesses momentos, em que há menor crescimento da economia, ou recessão, como no caso do Brasil, alguns setores podem se beneficiar. Troca-se o supérfluo, pelo essencial. o luxo, pelo básico.

A outra categoria de bens é a dos substitutos. Seu conceito econômico é que, mantido tudo o mais constante, quando o preço de um bem aumenta, o consumo de outro bem também apresenta elevação. Para quem tem automóveis flex fuel, é o caso da gasolina e do álcool. Se apenas o preço de um se eleva, a demanda pelo outro apresentará aumento.

Com inflação de beirando os 8% ao ano, e dólar nas alturas, muitos bens tiveram seu valor elevado, inviabilizando seu consumo. Quando os consumidores acham um substituto que satisfaça suas necessidades a um preço que podem pagar, eles optarão por esse bem. Mesmo que não seja exatamente o que desejam.

Negócios de sucesso são aqueles em que o empreendedor pensa em resolver um problema de um grupo de pessoas a um preço que elas estejam dispostas a pagar. Montar um negócio apenas pelo lucro que ele gera, tira o foco do cliente e o coloca no dono do negócio. No longo prazo, é uma prática auto predatória.

Não são poucos os casos de empresas que priorizaram o lucro e esqueceram-se do cliente. A criação, e percepção, de valor é essencial para a perenidade de uma ideia. Tempos atrás, uma multinacional comprou uma fábrica famosa de pão de queijo. Primeira medida foi alterar a receita do produto, reduzido, exatamente, o principal ingrediente: o queijo. Isso fez as margens aumentarem, apenas nas planilhas.

Os Gerentes Financeiros precisam entender que o Excel aceita tudo, inclusive fórmula errada. O revés veio em seguida. Com a modificação do “coração” do produto, as vendas despencaram e a empresa foi revendida por metade do preço que pagaram. E quem comprou? A mesma família que havia vendido para a multinacional. Voltaram com a fórmula antiga e a empresa voltou crescer.

A melhor forma de pensar em um novo negócio é fora do “quadrado”. E este quadrado é a sala, cubículo, em que as pessoas se fecham. A Economia está na rua. As oportunidades estão na rua. Observar o comportamento das pessoas, conversar e trocar ideias é o meio mais eficiente de se identificar boas oportunidades.

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