O RISCO OCULTO

Quando você estuda sobre investimentos, há sempre um tópico de discussão, um capítulo do livro, uma aula sobre riscos. E os teóricos dividem em categorias, como “risco sistêmico” e “risco não sistêmico”, risco de mercado, risco de liquidez, e assim vai. Porém, há um tipo que ninguém fala, que é o risco oculto.

Todos aqueles tipos de riscos listados acima são informações públicas, comuns, acessíveis. Assim, só se tornam efetivamente “risco” se você ignorá-las ou não saber o que fazer nos casos de variações das proxys. No mercado imobiliário, há o risco de “tempo de venda”, sendo que quanto mais demorar para vender, pior para o resultado. No mercado de ações, haverá sempre o risco de mercado, fazendo com que o preço das ações possa cair, e o investidor perder dinheiro se encerrar suas posições, e assim por diante.

Saber que estes riscos existem, é fácil você se proteger deles. Se você quiser mitigá-los, pense em alternativas de como agir caso eles ocorram. Se desejar eliminá-los, simplesmente escolha não correr o risco. Entretanto, o que acontece quando algo que você não sabia que poderia acontecer acontece?

Conversando com pessoas que desejam investir no mercado imobiliário americano, muitos acham que é um processo fácil, pois já fazem no Brasil (primeiro erro), e pois conhecem de construção e pegam informações de vendas do mercado (segundo erro). Porém, há muitas outras particularidades que não são conhecidas, e, pior ELES NÃO SABEM QUE ELES NÃO SABEM DESTES RISCOS. Ou seja, estão completamente “vendidos” na operação e não tem a menor ideia do que fazer caso exista o evento de risco.

Um exemplo: no Brasil é muito fácil fazer uma reforma em um apartamento ou uma casa. Basta contratar um empreiteiro e começar a obra. Aqui nos Estados Unidos, “o buraco é mais embaixo”. Se você quiser reformar um apartamento, antes de mais nada você deve pedir autorização para a Associação do Condomínio, o que pode ser um processo longo e frustrante.

Depois, você precisa pedir autorização para a Cidade para fazer esta reforma, além de ter comprovado o seguro de todo mundo que vai trabalhar lá. Por fim, precisa respeitar rigorosamente os horários de trabalho tanto do condomínio quanto das Leis Locais.

Então, uma coisa que, aparentemente, era só “sentar a marreta”, se torna num processo longo, caro e que pode inviabilizar todo o projeto.

E em outros ativos de investimentos é a mesma coisa. Vejo muita gente comprando títulos que pagam “1000% do CDI” sem saber o que de fato são e quais os riscos que estão por trás do papel. Pior aonde, vejo pessoas assumindo riscos que não podem arcar, só por que acham que o passado irá sempre se repetir ou por que um amigo disse que é bom.

Quando fizer investimentos, não se concentre nos riscos que você conhece, mas procure entender aqueles que você nem sabe que existem.

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