NÃO VISTA A CAMISA DA EMPRESA

Minhas ponderações a partir daqui não são nada científicas. Não conduzi pesquisa com amostragem de pessoas, nem perguntei nada a ninguém. Trata-se, então, de puramente “achismo”, cujos únicos embasamentos são as minhas próprias preferências e as observações que faço daqueles que me cercam.

No início de minha carreira (acho que já posso falar em carreira, após 10 anos no mercado de trabalho) tive um pouco deste pensamento. Visava crescer naquela que foi minha primeira empregadora; ser promovido; conquistar sonhos maiores.

Com o tempo, percebi que pensar dessa forma era um tremendo limitador. Por que eu iria me limitar aos cargos e funções daquela empresa? Por que iria me limitar com os salários que eles poderiam pagar? Por que iria me limitar àquele mundo, se o mundo que eu desejava conquistar e conhecer era muito maior? Fui atrás de um novo emprego. No meio do caminho, fui demitido.

Esta foi minha liberação. Demorou um pouco para eu me conscientizar. Arranjei um novo emprego em uma dessas empresas “limitadoras”. Fui trabalhar num grande banco e lá veio a revelação. Eu não servia para aquilo.

Neste momento, quatro meses após ser demitido e três depois de ingressar no novo emprego, eu pedi demissão e fui correr atrás dos meus sonhos, ao invés de buscar o sonho dos outros. Montei minha primeira empresa e descobri, na prática, que a vida é bem melhor sem limites.

Nem tudo são flores. Expandir, ou eliminar, seus limites tem um preço. Mais responsabilidades. Mais riscos. Mas eu estava disposto e não me importava (e continuo assim). Prefiro o risco do nada com a possibilidade do tudo à segurança de um mínimo com a limitação de um máximo.

Hoje, conversando com empresários mais antigos, vejo que muitos ainda não se acostumaram com essa característica da nova geração (ou de muitas pessoas no mercado de trabalho). As pessoas não querem vestir a camisa da empresa. E elas estão certas. A empresa é que tem que vestir a camisa do funcionário.

Aliás, “a empresa” não existe. Quem existe é seu dono, seu diretor, seu gerente. E estes tem devem entender que para terem funcionários produtivos e competentes, eles precisam entender qual a motivação do profissional e procurar provar que ali eles conquistarão o que procuram.

O mesmo pensamento eu vejo que as pessoas infelizes em seus empregos também devem ter. Elas estudam e sabem qual a visão e a missão da empresa mas não sabem as suas próprias. Não sabem o que querem nem o que desejam.

Na entrevista de emprego, o contratante deve entender o que o profissional deseja. O que almeja. Qual o seu sonho. Se não for de acordo com o da empresa, por melhor que ele seja, faça a ambos um favor e não o contrate. No longo prazo, a relação não se sustentará.

O candidato da mesma forma. Vá preparado com perguntas: qual a visão da empresa? qual a missão? no que VOCÊS podem me ajudar a conquistar os meus sonhos? Se ele não souber responder, ou a resposta não lhe agradar, faça a ambos um favor e não aceite o cargo. No longo prazo, a relação não se sustentará.

Não quero dizer que todos devam sair de seus empregos e montarem seus próprios negócios, até por que nem todo mundo quer ou tem vocação para isso. Também não quer dizer que devam tratar as empresas que os empregam com desdém. Muito pelo contrário.

O que tenho visto, e acredito que seja um dos ingredientes para uma vida profissional empolgante, é estar em um lugar aonde você possa se ver aonde deseja chegar. Ou que lhe ajude nesta caminhada, mesmo que saiba que esteja ali apenas de passagem.

Se você aceitou um emprego, que o seja pois a sua visão de futuro está em concordância com a da empresa. E se isso aconteceu, encare a empresa como sua e trabalhe arduamente; encare-a como a ferramenta para conquistar o mundo, e tenho certeza que o conquistará.

2 comentários em “NÃO VISTA A CAMISA DA EMPRESA

  1. Djalma Moura Responder

    Mesmo com trinta e cinco anos de trabalho na mesma empresa continuo também pensando assim.
    Boa matéria Daniel, parabéns.

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