MOMENTO MÁGICO

No Ironman Brasil 2014, a etapa do ciclismo assustava pela sua grandeza. Seria mais da metade de toda a prova em cima de uma bicicleta, num total de 180 quilômetros. Pelos meus treinos, imaginava que o faria em cerca de 6h30m. Minha preocupação eram as dores na região lombar, que me perseguiam durante os treinos. Entretanto, graças ao trabalho do Dr. Ismael, da Cerfe Fisioterapia, que aplicou kinesio tape na região, este acabou não sendo um problema. O que atrapalhou bastante foi o vento.

Ao sair da natação e pegar a “magrela”, as condições eram perfeitas. Havia sol para ajudar a secar a roupa molhada, e não havia vento. Após sairmos de Jurerê Internacional e pegarmos a rodovia SC-401, estava muito satisfeito com o desempenho. Sem muito esforço, meu relógio marcava a velocidade de 35 km/h. Nesse momento, havia muita gente pedalando junto ainda. Ora eu ultrapassa alguns colegas, ora eu era passado por eles. Enquanto subia o morro do cemitério, vi, dbikeo outro lado, o primeiro colocado passar, descendo em direção ao Floripa Shopping. Era Igor Amorelli, que acabou vencendo o evento. Fiquei impressionado quando vi o segundo colocado apenas iniciando a subida do morro. Nesse instante pensei: “aquele cara é muito fod@!”. Ao chegar na Av. Beira Mar, o visual e as pessoas torcendo ajudavam a aumentar nossa moral e deixar a prova ainda mais agradável. Em seguida veio o túnel e o caminho todo de volta, que foi marcado por pessoas batendo no guard-rail, fazendo festa pela passagem dos Irons, e mais um punhado de gente na rótula de Canasvieiras doando energia positiva para quem passava. Finalizei a primeira volta com 3 horas, marcando exatos 30km/h de média. Não chega a ser impressionante, mas estava dentro da minha meta. Na segunda, volta, porém, nem tudo foram flores.

Na rótula de Canasvieiras, bem no final da primeira volta, estava na hora de tomar meus sais e BCAA. Então, busquei a minha caixinha que levara para suplementos em cápsula. Ao abri-la, uma surpresa nada agradável: como minha roupa estava molhada no início da prova, todas as minhas bagas haviam dissolvido. Em um primeiro momento, eu desesperei. Mas em seguida, pensei em uma solução. Como havia levado meu celular para que minha esposa pudesse me acompanhar pelo iCloud, mandei uma mensagem para ela, pedindo que, após eu passar para a segunda volta, que ela me desse minhas cápsulas de sal, BCAA e Advil para poder fazer a prova de corrida. Ela prontamente atendeu. Em uma verdadeira operação de contrabando, com ajuda de uma das voluntárias que trabalhavam na tenda de transição, ela consegui fazer com que colocasse dentro da minha bolsa meus suplementos. Fora das regras? Sem problemas. Não estava competindo e muitos atletas PRO estava fazendo vácuo. Então, tudo certo.

QuandDSCF0164o estava na Beira Mar, para a segunda volta, já na casa das 5h30 de prova, entrou um vento norte e todo o trajeto do trevo do aeroporto, na baía sul, até a rótula de Canasvieiras, foi de vento contra. E a velocidade média da segunda volta foi de meros 25km/h. Na volta, já passava de 7 horas de prova. No km 160 da etapa de bike, eu estava com ambos os pés dormentes, dores nas cotas, nas pernas, dor de cabeça, frio e fome. Foi quando vi meus heróis no acostamento da SC401 torcendo por mim e me incentivando. Meus olhos se encheram de lágrimas; o choro queria vir, mas não saia. Então, meus pulmões se preencheram com ar e meu coração a bater mais forte. A energia veio não sei da onde, mas foi o suficiente para me levar até a segunda transição e completar a maratona. Sem eles, nada seria possível, gratificante ou glorioso. Amo muito.

 

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