INVESTIMENTOS – AONDE APLICO MEU DINHEIRO E AONDE VOCÊ DEVERIA APLICAR O SEU

Duas das perguntas sobre investimentos que mais recebo são: 1) Aonde eu, Daniel, invisto; e 2) Aonde devo (não eu, mas quem fez a pergunta) investir. E para responder, vou dividir este post em três partes.

Parte 1 – Antes de Investir

Antes de falar em investimento, temos que falar sobre realidades, uma vez que cada um tem a sua. No que diz respeito à minha, nos últimos 5 anos eu me dediquei a reduzir drasticamente minhas dívidas. Depois de duas sociedades mal resolvidas, eu estava com aproximadamente R$ 200 mil em débitos para serem quitados. O motivo e a origem não interessam neste momento, mas o importante é que eu tinha este problema para resolver.

Durante estes 5 anos, eu procurei fazer o que nenhum “consultor financeiro pessoal” diz para seus clientes fazer: ao invés de me concentrar em viver uma vida de miserável para poder usar todo dinheiro que sobrava das economias para pagar contas, eu me esforcei para elevar minhas receitas.

Então, além do meu trabalho como Analista de Investimentos em uma gestora de recursos, eu dava aula 4 noites por semana em uma faculdade; lecionava em uma pós-graduação em uma cidade à 200 km de distância da onde eu morava; desenvolvia trabalhos de consultoria independente; e era professor de cursos in company.

Com uma jornada de 17-18 horas por dia, eu consegui reduzir bastante as dívidas que havia herdado, até um ponto em que pude abrir mão daquelas receitas extras para me concentrar no grande sonho de morar fora.

Resolvido isto, voltei aos investimentos.

Parte 2 – Aonde eu, Daniel, Invisto

Não existe fórmula mágica da onde investir. Cada um acha que sabe alguma coisa, e cada um coloca seu dinheiro, e seu tempo, aonde acreditar que vai ser melhor para seus objetivos. Alguns investem em imóveis, outros em bitcoin. Não há certo ou errado. Há apenas o coerente e o incoerente com os objetivos desejados.

No meu caso, para meus objetivos atuais, não há razão alguma de investir em renda fixa. Estou numa fase da vida que a produção deve ser total. E meu perfil agressivo me faz fugir de operações mais conservadoras e seguras. Sendo assim, não tenho um centavo em Tesouro Direto, CDB’s, LCI’s, LCA’s, Triple AAA Bonds, Treasuries, etc. Todavia, não quero dizer que estes investimentos são ruins. Eles apenas não se encaixam no meu perfil atual.

Não estando em renda fixa, meus investimentos só podem estar em renda variável. E é nesta modalidade que eu aplico 100% dos investimentos que faço. Uma parte em ações, uma parte em empresas, uma parte em negócios, uma parte em mim mesmo. Neste momento da minha vida, quero investir na capacidade de geração de renda. E a única forma de eu fazer isto, é investindo em ativos, líquidos (ações, fundos imobiliários) ou ilíquidos (nas minhas empresas e em mim mesmo) que me proporcionarão esta capacidade de gerar renda no futuro, momento no qual eu poderei não ter mais esta habilidade.

E é neste ponto que eu acho que as pessoas pecam nos investimentos. Passam a vida toda fazendo uma reserva para que, no final da vida, utilizem deste reserva até morrer. Princípio da aposentadoria.

No meu modo de ver, durante a fase mais produtiva da vida, é necessário investir em ativos, empresas, produtos, negócios, que sejam capazes de lhe proporcionar uma renda no futuro, independentemente do tempo que você ainda vai viver. Não são poucos os casos de pessoas que vivem “mais do que o esperado”, acabando com seu fundo de pensão e ainda tendo sobrevida, trazendo dor de cabeça para os que estão a sua volta.

Desde que reduzi  significativamente às dívidas até um certo ponto que me permitiu voltar a fazer investimentos, e isto foi há poucos meses, eu dedico a aplicar de 5 a 10% dos meus rendimentos em renda variável, e só. Uma parte em ações e outra parte “à fundo perdido”. Explico.

Investimentos em ações

No quesito ações, montei uma carteira inicial no Brasil, pois acredito que ainda preciso entender um pouco mais do mercado americano para adquirir ações aqui. Todavia, em 6 meses vou começar a comprar ações também na terra do Tio Sam.

Esta carteira de ações no Brasil possui os seguintes ativos hoje:

ITUB4, MPLU3, TIET11, HYPE3, QUAL3.

Em posts futuros vou detalhar a decisão em cada um destes ativos.

Como análise macro, estas ações estarão no meu portfolio por, pelo menos, um ano. Todos os meses vou adquirir esses ativos. Um pouco a cada vez. Daqui 10 meses vou reavaliá-los e verificar se eles serão mantidos ou retirados. Se decidir mantê-los, ainda vou avaliar se aumento a posição, ou se mantenho como está. Neste último caso, escolherei outros ativos para engrossar a carteira.

Somente irei vender estas ações se:

  1. houver uma drástica mudança nos fundamentos da empresa no curto prazo;
  2. não acreditar que, nos próximos 5 anos, elas performarão bem.

Esta é a forma como invisto hoje. Olhando o longo prazo.

Já fui trader. Ganhei dinheiro e perdi dinheiro. No final o saldo não valeu a pena.

Mais uma vez, não quero dizer que fazer trades curtos seja ruim. Apenas não é para mim.

Outros Investimentos

A segunda parte dos investimentos é totalmente especulativa, mas tenho controle sobre ela. Trata-se de investir em mim. São cursos, eventos, marketing, propaganda, empresas, negócios, branding que tem como objetivo elevar a minha capacidade de geração de receita, no curto, médio e longo prazos.

Não há saldo para resgate. Não há garantias. E, às vezes, possui alavancagem.

Porém, eu sempre serei o investimento mais seguro que posso fazer, desde que eu aplique todo o conhecimento adquirido para monetizar estas inversões.

É um investimento que, apesar de não ser resgatável, ele não se perde. É especulativo, mas seguro.

E pretendo investir em renda variável por mais uns 3 à 5 anos, quando, então, começarei a fazer uma carteira de imóveis para renda de aluguel.

Parte 3 – Aonde devo (não eu, mas quem faz a pergunta) investir

Essa vai ser a parte mais curta do post por um motivo bem simples: eu não faço a menor ideia da onde você deve investir seu dinheiro.

Cada pessoa, antes de investir, deve identificar seus objetivos e seu perfil. Os maiores problemas que eu identifico nas pessoas é que elas querem ficar ricas logo, investindo seus R$ 100,00 por mês, ao mesmo tempo que não querem correr o risco de perder um centavo sequer.

Brigam pela taxa de administração do banco, pelo custo da TED, pela taxa de custódia.

Mais uma vez, estão concentradas em apenas um lado da moeda, o custo, enquanto deveriam estar preocupadas com o outro lado, a receita (ou retorno).

Não existe fórmula de bolo para investimentos.

Hoje uma pessoa me perguntou se ela deveria comprar um imóvel na planta em uma cidade no subúrbio de Shenzhen, na China. Adivinha? EU NÃO FAÇO A MENOR IDEIA DO QUE ESTÁ ACONTECENDO NOS SUBÚRBIOS DA CHINA.

Você deve entender o que deseja; quais riscos quer correr; quais não quer; quanto deseja ter; e precisa compreender os produtos e ter responsabilidade pelas suas decisões.

Quando o bitcoin cair 30% num dia, não culpe seu amigo, ou o “analista” pelo fato de você ter perdido dinheiro. Não foram eles que apertaram o botão “comprar”. Ninguém lhe obrigou a fazer nada, então não culpe os outros.

Investir dá trabalho. E quem não quer ter trabalho, sempre acaba entrando em algum tipo de pirâmide financeira ou investimentos ruins.

Quer saber aonde investir? Se conheça, antes de mais nada, e depois, estude as possibilidades. Somente então, tome uma decisão.

A única dica que eu dou é: comece hoje mesmo.

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