INVESTIMENTO SEGURO.. MAS NEM TANTO

Um dos meus objetivos com esse blog é alertar as pessoas sobre as falácias que correm no mundo dos investimentos. Pirâmides financeiras e investimentos “sem risco” são os melhores alvos. Não sei por que coisas tão “na cara” conseguem enganar tantas pessoas. Mas no final, o problema sempre aparece.

Modismo

Hoje saiu uma matéria no jornal Valor Econômico sobre o problema que as gestoras de fundos estão enfrentando. Durante a bonança do mercado de capitais brasileiros, todo investimento virava febre, até aparecer um novo. Começou com o mercado à vista da bolsa de valores, depois passou pelos IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês), foi para os fundos Imobiliários e chegou nas operações estruturadas.

Qual o Risco?

Sobre os dois últimos, cansei de ouvi falar que investidores poderiam aplicar pois “o risco era muito pequeno”, uma vez que contava com garantia real de imóveis. Na maioria dos casos, os fundos imobiliários são donos de prédios, shoppings, galpões, etc, e, na eventualidade do inquilino der calote, pelo menos tem-se o ativo. Da mesma forma operações com Certificados de Recebíveis Imobiliários, aonde o banco desconta um aluguel futuro para o dono do imóvel, enquanto coleta, em tempo presente, do inquilino. Se este não paga, o colateral também é o imóvel.

Bom, na hora de captar o investidor, ou de investir, ter o imóvel é a melhor garantia do mundo. Até que o calote aparece e você fica com o elefante branco parado no meio da sua sala e você não sabe o que fazer.

É claro que ter uma garantia real é melhor que nada. E não estou aqui para falar mal de produtos que tenham lastro em imóveis, pois acredito fortemente neste tipo de investimentos. Porém, estou aqui para (re)lembrar que todo investimento tem risco, inclusive aqueles que aparecem com todos os mecanismos para “blindar” o investidor.

O que fazer?

Agora, os fundos e gestoras estão com um problema gigantesco para resolver. Logicamente, com a crise, muitos inquilinos sumiram, deram calote, não têm como pagar suas parcelas. Então, os Fundos e Gestoras estão se vendo obrigados a executarem as dívidas, recebendo suas garantias imobiliários.

Ninguém, todavia, previa que isso iria acontecer. Eles colocavam como fator de risco e se precaviam, sim, mas todas as noites iam para casa rezando que estes eventos fosse apenas “coeficientes do cagaço”. Não queriam, realmente, que acontecesse para não terem mais dor de cabeça.

Mas aconteceu.

E no pior momento do mercado.

O gestores de fundos são especialistas em administrar dinheiro. Ativos reais não contam como habilidades, em geral, desse pessoal. Assim, muitos ativos estão sendo recuperados mas causando diversos custos para os cotistas, que, no final, precisam arcar com despesas de advogados, condomínio vazio, processos.

Somado a isso, os gestores, em alguns casos, precisam tentar liquidar o ativo para pagar o investidor no pior momento possível do mercado, aonde há um excesso de oferta e, praticamente, nenhuma demanda.

Investimentos imobiliários são excelentes opções para quem pensa no longo prazo. Mas lembre-se: não existe ABSOLUTAMENTE nada sem risco. Esteja preparado para o pior e não chore quando ele acontecer.

 

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