ESTÁ NA HORA DE SAIR DO BRASIL

Antes de mais nada, faço o disclosure sobre este texto. Desde 2014 a Tross Empreendimentos, e a Tross International, empresas com as quais tenho ligações diretas, mantém negócios nos EUA, no Estado da Flórida. Meu posicionamento pode ser interpretado como tendencioso. Porém, na verdade, ele é a base da decisão de termos empreendido e nos mudado para os Estados Unidos.

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Passamos por um momento ímpar na Economia Brasileira. Nascido em 1984, eu nunca presenciei momento tão turbulento. Nem a hiperinflação das décadas de 80/90 é parecida com o sentimento apático no qual se encontra nosso país. Desde 1930/1931 não temos uma queda no PIB de forma tão drástica. Já estamos no sétimo trimestre consecutivo com queda no crescimento do Produto Interno Bruto. São onze meses seguidos de crescimento negativo da riqueza do país. Em dois anos, são quase 10% de queda no PIB acumulada. Perdemos 3 classificações no grau de investimento e, o arrefecimento da economia da China, só piora o que deve vir pela frente.

7 trimestres consecutivos de queda no Produto Interno Bruto
7 trimestres consecutivos de queda no Produto Interno Bruto

Ao mesmo tempo, a inflação galopa nos dois dígitos. Desde 2003 não tempos um índice de preços oscilando de forma tão forte positivamente. Lembre-se que naquele momento o dólar batia os R$ 4,00, em razão da visão negativa do candidato que caminhava para a vitória das eleições. A saber, Luis Inácio Lula da Silva. Deixar dinheiro parado hoje é, certamente, uma das piores formas de investimento. O valor da moeda cai a 10% ao ano. Temos destruição de riqueza somada à perda do valor da moeda.

Inflação de 2 dígitos
Inflação de 2 dígitos

A velocidade da deteriorização das expectativas do mercado é impressionante. Em pouco mais de 12 meses, os agentes reduziram a projeção de crescimento do PIB de 2016 de quase 2% para -4%. Uma queda de 6 pontos percentuais no que se acredita que pode acontecer até o final deste ano. A Economia, simplesmente, parou. O sentimento de confiança dos empresários é um dos piores em toda a história de sua medição. Não há clima para decidir-se abrir a carteira e fazer investimentos. O compasso é de espera. Eterna espera.

Variação de 6 pontos percentuais
Variação de 6 pontos percentuais

É ai que vem minha preocupação.

Com uma economia estagnada, a taxa de juros elevadíssima inviabiliza qualquer novo projeto de investimento produtivo. Aqueles que tem capital para aplicar, preferem deixá-lo no Banco, aplicados em títulos públicos, que lhe renderão quase 15% ao ano. Quem será louco de abrir empresa, empregar pessoas, comprar produtos e tentar vendê-los num momento como o atual? Qual negócio garantirá 15% de lucro ao final de um ano? Difícil. O investidor, entretanto, está sendo enganado. Cuidado para não ser o último a sair e apagar a luz.

Taxa juros de alta inviabiliza investimentos produtivos
Taxa juros de alta inviabiliza investimentos produtivos

Há muito escuto de investidores que preferem deixar seus recursos em títulos públicos, pois “não tem risco.” O investidor acredita que o Governo pagará seus empréstimos para sempre. Que pode sacar a qualquer momento. Que o pior não acontecerá.

Desconstruindo os conceitos, a liquidez do Tesouro Direto já se mostra problemática. Quando o mercado está volátil, não há parâmetros para formação de preços e as negociações são suspensas. Não há como resgatar. Não há como transformar papel em dinheiro.

Seguindo o pensamento reverso, preocupa-me o investidor acreditar demais no governo. Os gringos não confiam. E nem nós deveríamos. A relação dívida/PIB saiu de 50% para 70%!! Quase tudo o que é produzido no País é devido pelo Estado. E é um empréstimo como taxa de juros altíssima. Somado a isso, o governo afunda-se em prejuízos a cada ano que passa.

Elevação de 50% para 70%
Elevação de 50% para 70%

Em 2014, o governo terminou com 34 bilhões de prejuízo. Em 2015 o rombo foi de 115 bilhões de reais. Estes valores foram calculados antes que o governo pudesse pagar os juros e o principal de sua dívida. É como uma pessoa que, durante o ano, gastou mais do que ganhou e pegou um empréstimo no banco para fechar as contas. No ano seguinte, continuou a torrar dinheiro acima dos seus ganhos. Além de ter prejuízo, não tinha dinheiro para pagar o empréstimo. Foi lá, e tomou outro. Criou uma bola de neve. Logo, logo, o banco não lhe emprestará mais nada. E ele dará calote.

Rombo de 115 bilhões nas contas do Governo
Rombo de 115 bilhões nas contas do Governo

O governo pode fazer isso? Em tese, sim. No vencimento dos títulos, ele pode simplesmente repactuar a dívida. Diz para o detentor dos títulos, o investidor, que esse papel que vence hoje, será pago daqui 12, 24 ou 48 meses. E assim vai “enrolando” a dívida.

Na prática, ele fará? Talvez. Outra saída que ele tem, em função de ser dívida interna, é imprimir moeda para pagar a conta. Consequência? Mais inflação. Resumindo: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Qual a saída? No Brasil, mantenha a menor liquidez possível. Lembre-se, manter dinheiro líquido faz você ficar 10% mais pobre todo o ano. E o excedente? Compre imóveis. Terrenos, apartamentos, casas. Sempre terão valor. Seja qual for a moeda, qual for o plano, seu patrimônio estará protegido.

E fora do país?

O Globo não está numa situação muito confortável. Olhando o mapa-mundi, temos diversas regiões com problemas. A Europa segue há 10 anos estagnada, com crise imigratória e terrorismo. Apesar da baixa inflação, o continente, de uma forma geral, não cresce. E não há perspectiva futura de que seja melhor nos próximos anos.

A África é um “bicho de sete cabeças” que é preciso muito entendimento para se fazer qualquer coisa lá. Riscos Geopolíticos, ambientais, societários são os mais apontados pelo Fórum Econômico Mundial sobre fazer negócios no continente.

Olhando a Ásia, a Rússia está mais afundada em corrupção que o Brasil. O Japão, das maiores economias do mundo, está há 30 anos sem crescer. E vai ficar mais tantos. E a China, por mais que divulgue informações, se diz que cresce 5% ou 50%, ninguém sabe ao certo. Não há confiança nas estatísticas. O que se sabe é que compram menos e menos do resto do mundo todos os dias. O resultado é um excesso de taxas de juros negativas aplicadas por diversos Bancos Centrais.

A América Latina, por sua vez, é representada pelo Brasil. Na medida que somos a maior economia do subcontinente, representando cerca de 3% do PIB mundial, as demais são muito pequenas para serem significantes. Como estamos em crise, quase nada se salva.

Por eliminação, sobram os Estados Unidos como oportunidade de proteger o patrimônio. Após a crise, e sua recuperação, os EUA crescem a 2% ao ano e, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional e da PricewaterhouseCoopers, deverá seguir este ritmo até 2020.

Projeção de Crescimento
Projeção de Crescimento

Como formas de investidores brasileiros aproveitarem esse crescimento, há, basicamente, três oportunidades: 1) aquisição de títulos públicos; 2) investimento em ativos negociados em bolsa de valores; 3) aplicação dos recursos em ativos reais (imóveis).

No primeiro caso, o investidor protege-se, apenas, contra o risco da moeda local. Com rendimentos que beiram 0,5% ao ano, adquirir títulos públicos americanos não garante lucros, mas elimina-se o risco soberano “Brasil”, trocando-o pelo risco “EUA”.

Principais Bancos Centrais do Mundo cobram para receber depósitos
Principais Bancos Centrais do Mundo cobram para receber depósitos

Os ativos em bolsa, por sua vez, podem representar bons resultados. Todavia, os principais índices já superam o momento pré crise, ao mesmo tempo que o crescimento da economia não foi tão expressivo assim. Além disso, há que se ter apetite para risco e oscilação, o que nem todos estão preparados.

Sinais de arrefecimento
Sinais de arrefecimento

O mercado imobiliário, entretanto, encontra-se em momento que ainda prevê certo crescimento. Depois dos excessos dos anos 2000, que resultaram na crise no final da primeira década do milênio, muitas mudanças foram feitas, no sentido de deixá-lo mais previsível, regulado e seguro.

O resultado é que, de tudo que caiu durante a crise, em Miami, por exemplo, o preço dos imóveis recuperou-se 50% do que perdeu. O primeiro movimento foi ocasionado pelos investidores estrangeiros, que aproveitaram o momento de extrema depreciação dos ativos somado à desvalorização do dólar. Passados 10 anos, deve-se começar a segunda fase: sai o estrangeiro e entra o americano que, após limpar seu nome no mercado de crédito, poderá voltar as compras com financiamento imobiliário.

Ainda há espaço para crescimento
Ainda há espaço para crescimento

Investir no exterior é fácil, simples e legal. O investido precisa sofisticar-se para não ter prejuízos. Aquilo que parece “infalível” pode reservar um final trágico.

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