ENCONTRANDO UM GRUPO

Uma das coisas mais difíceis quando você se muda para uma nova comunidade é se enturmar. Isso pode ser numa nova escola, emprego, cidade ou país. No último caso, pode ser ainda mais difícil em função da dificuldade com a língua e diferentes costumes. A prática esportiva pode ajudar muito nesse assunto.

Os Americanos, pelo menos aqui no Sul da Flórida (não dá para generalizar, pois a região de Miami é, praticamente, uma parte da America Latina), são bem receptivos e prestativos. Eles não te chamam para fazer um churrasco no domingo, mas estão longe de serem pessoas arrogantes. Cumprimentam com educação, puxam conversa e dão muitas dicas aos estrangeiros. Sim, existem os “bicho do mato” que nem levantam a cabeça no corredor, mas em geral, são muito sociáveis.

Porém, entre ser sociável e se tornar amigo, há um abismo gigantesco. Quanto mais velhos ficamos, mais difícil é fazer amizades. As crianças são puras. Encontram outras e já vão brincar. Adultos são frescos, desconfiados, preconceituosos. É muito difícil abrir uma brecha para se fazer um novo amigo. As amizades se formam mais por interesse (comercial, relacionamento, etc.) do que por afinidade.

A prática de esportes individuais, como o triathlon e suas modalidades, é um treinamento mental. Passar horas nadando, pedalando ou correndo sozinho é, psicologicamente, estressante. Ninguém para conversar, trocar ideias, ou jogar conversa fora. Fazer parte de um grupo pode ajudar muito no cultivo da motivação. Então, desde que cheguei aos Estados Unidos, em julho, os meus treinos são muito solitários. Não há aquela integração das manhãs de sábado, quando me reunia com colegas para treinar, o que passou a ser um desafio a mais. Mas tudo vem com o tempo.

Conversando com um colega de profissão, ele me falou de um grupo que sai para pedalar toda terça e quinta às 06h30 e sábados às 07h. No último sábado, 07/11, me encontrei com esse pessoal e fui junto. De cara, me surpreendi com o tamanho do grupo. Eram cerca de 50 pessoas, entre homens e mulheres, dos 25 aos 50 anos. A segunda surpresa foi com o ritmo. O pessoal aqui pedala muito forte. Os americanos são treinados para a competição desde sempre. Então, (para a maior parte deles) ou se entregam 100% ou não fazem. O cara é ou muito magro, ou muito gordo ou muito forte. Não tem meio termo. No pedal, os amadores são muito tops! Foi difícil acompanhar o pessoal, principalmente na volta, com vento contra. O pedal com esse grupo foi sofrido, mas o ânimo de estar com mais pessoas treinando é completamente outro. E ninguém se inscreve num Ironman para passear de bicicleta.

É preciso ter uma cabeça muito boa para admitir a inferioridade perante um grupo de pessoas. Superar preconceitos também. Não é por que o outro é mais gordo, mais velho ou mais fraco que ele não pode ser melhor que você. Para evoluir, é preciso treinar. E a melhor forma de evoluir é estar perto de pessoas melhores que nós. Desde que você os veja como inspirações, não com “invejinha.”

Confira aqui um resumo do trecho Aventura-Ft. Lauderdale.

 

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