COMO FINANCIAR SEUS PROJETOS

Na era dos Millenials, na qual profissionais procuram mais a liberdade e a realização pessoal, em troca de um emprego seguro com pagamento certo, o empreendedorismo tem aparecido com maior frequência como principal alternativa viável para o mercado de trabalho. Não é a toa que quatro em cada dez brasileiros adultos já possuem um negócio ou estão em processo de abertura de uma nova empresa.

Porém, financiar uma empreitada nem sempre é um trabalho muito fácil. Muitos empreendedores possuem uma capacidade enorme em desenvolverem ideias de negócio, entretanto, se veem barrados na sua iniciativa por falta de capital.

É fato que o Modelo de Negócio e o Plano de Negócios são ferramentas importantes que facilitam, dão perspectiva e ajudam na execução e controle da empresa. Quando se fala em captar recursos de terceiros, sejam eles investidores ou credores, elas se tornam indispensáveis.

O Modelo de Negócios, atualmente bem desenvolvido através da ferramenta Canvas, ajuda e determinar e entender a que de fato o novo projeto se propõe, a quem quer servir, como fará isto, esclarece os destinos do capital (investimento e despesas) e, principalmente, identifica como a empresa terá lucro.

Já o Plano de Negócios é o detalhamento das metas e da execução dos passos necessários para que os objetivos sejam atendidos. Ali estarão relatados todos os investimentos, ações operacionais, metas e cronogramas para que a ideia seja devidamente executada. Ele é o documento que traçará o caminho a ser seguido. Muito embora ele não seja estático, ele será o ponto de partida e a bússola do empreendedor, sofrendo ajustes se necessário.

Com estes dois documentos em mãos, o empreendedor poderá procurar, basicamente, dois tipos de financiadores: pessoas dispostas à emprestar o dinheiro (credores) e pessoas interessadas em serem sócias e terem uma fatia do negócio (investidores). Veja abaixo o que cada um deseja e quais os prós e contras de cada um.

Credores

O que buscam

Os credores, quando emprestam dinheiro, querem ter duas certezas: uma é que o capital principal será devolvido. A outra, é a remuneração por ter emprestado o recurso (juros).

Neste sentido, os credores, primeiramente, irão exigir diversas garantias que possam ser executadas em caso da incapacidade da empresa pagar o empréstimo.

A forma mais comum é alguma garantia real, como um imóvel, máquina ou equipamento. Em cima do valor de mercado dessas garantias, o credor irá estipular uma linha de crédito, normalmente em montante menor do que o quanto este bem vale.

Após conquistada esta garantia, é normal pedir um avalista para segurar a operação. Este avalista precisa provar que pode pagar o empréstimo na totalidade em caso de default.

O próximo passo é a determinação da taxa de juros. Ela será influenciada por três fatores principais:

  1. Capacidade de pagamento da empresa / qualidade das garantias – quanto melhor forem as garantias e quanto mais a empresa provar que pode pagar o empréstimo, menor será a taxa de juros;
  2. Prazo da operação – o futuro é incerto e todos sabem. Sendo assim, quanto mais longa é a linha de crédito, maior tende a ficar a taxa de juros para que este risco seja compensado;
  3. Taxa SELIC – a taxa de juros paga pelo governo na aplicação em títulos públicos (SELIC) é a que baliza todas as operações de crédito na Economia. Isto por que se considera o Governo um devedor “livre de risco”, ou seja, que sempre pagará suas contas. Sendo assim, quanto maior for esta taxa, mais o banco vai querer dos “simples mortais” para compensar o risco de não investir em títulos do Governo. Atualmente, a taxa SELIC é de 14,25% ao ano.

Uma vez que asseguraram o retorno do capital emprestado, os credores fazem uma avaliação do fluxo de caixa que a empresa deverá gerar. Com base nisso, eles determinam qual é a parcela máxima que a empresa pode assumir sem prejudicar suas finanças. Em geral, as parcelas dos financiamentos não devem exceder 30% o fluxo de caixa mensal da empresa.

Prós

Dado que existem diversas instituições financeiras e muitas linhas de crédito disponíveis, é fácil identificar aonde poderá ser conseguido o recurso, mas isso não significa que o empreendedor terá sucesso. Entretanto, ele sabe “em que porta bater” para procurar o capital necessário.

Contra

As linhas de crédito no Brasil, em geral, são de curtíssimo prazo. Mesmo as mais longas, de até 60 meses, normalmente exigem que o empreendedor inicie a amortização da dívida no mês seguinte, antes mesmos de a empresa começar a dar os resultados almejados.

Além disso, o histórico brasileiro de elevadas taxas de juros penalizam demais quem deseja abrir uma empresa. Com carga tributária igualmente elevada, somando-se os juros, sobra pouco para o empreendedor.

Investidores

O que buscam

Diferentemente de quem empresta dinheiro, investidores costumam ter uma visão mais de longo prazo. Abrem mão da devolução garantida dos recursos acrescidos de uma taxa de juros para ter uma participação na empresa.

Para eles, documentos como plano de negócios e modelo de negócios se tornam ainda mais importante, pois ele precisam acreditar que a ideia é sólida e que a empresa poderá ser um sucesso no futuro. E é nesse resultado que estão interessados.

Existem diversas modalidades em que um investidor pode participar, porém, basicamente, elas se resumem em duas vertentes: investidor ativo ou investidor passivo.

investidor ativo é aquele que desejará ter uma posição de controle na empresa. Apesar de não ser o responsável, ou não querer se envolver nas questões cotidianas da gestão a empresa, ele quer ter um poder de voto elevado. É normal que, mesmo sem deter a maior parte do capital, eles opinem de igual para igual, ou até com possibilidade de veto. Como eles que viabilizaram o projeto com seus recursos, eles querem ter o controle da empresa, para ter certeza de que tudo seja feito dentro do planejado.

Já os investidores passivos preferem não se envolver. Eles continuam detendo uma participação da empresa, porém, deixam a gestão nas mãos do empreendedor que é, normalmente, quem de fato sabe o que deve ser feito.

Prós

Hoje existem muitos investidores individuais e fundos de investimentos dispostos a colocar seus recursos em pequenas e médias empresas, em diversas etapas de maturação, com objetivo de retorno no futuro. É o casos dos Investidores Anjos ou Fundos de Investimentos em Private Equity.

A volatilidade da bolsa de valores causada por problemas econômicos e políticos, tem levado muitas pessoas a procurarem este tipo de investimento que, apesar de ter maior risco, tende a apresentar uma possibilidade de retorno igualmente elevada.

Outro ponto extremamente positivo é que, devido à visão de longo prazo destes investidores, o recurso entra na empresa será revertido no seu próprio crescimento, ao invés de amortização de dívida como acontece nos aportes através de linhas de crédito. Assim, é possível a empresa primeiro ter resultado e, depois, retornar o capital para o financiador.

Contra

Um aspecto que pode ser negativo é a perda, ou limitação de controle, no caso de investidores ativos. Divergências entre a gestão e o(s) investidor(es) pode levar a decisões que não sejam positivas para o negócio, entre outras discussões.

Algo, também, que muitas vezes preocupar os empreendedores é “perder” uma parte da empresa para quem aporta o recurso financeiro. Afinal, o empresário teve a ideia, a elaborou, executou e, no final, fica apenas com uma parte do resultado.

Neste caso, há de se lembrar de que caso o recurso financeiro do investidor não tivesse sido disponibilizado, tudo poderia ser ainda apenas uma ideia.

 

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