A FALÁCIA DO DESCONTO

A Lei da Oferta e Demanda, imortalizada por Adam Smith em 1776 em seu livro “A Riqueza das Nações”, e praticada diariamente por todos os habitantes de economias livres, implica que a quantidade de bens que uma pessoa compra tem como um dos principais determinantes o preço. Este, todavia, não é o fator que levará uma pessoa a desejar aquele bem ou não. Um exemplo simples é que uma pessoa pode ter o desejo de comprar uma Lamborghini, ao preço de US$ 200 mil. Porém, para um determinado nível de renda, sua capacidade de consumo hoje seja de zero unidade.

O mesmo acontece em todos os setores da economia. E as empresas formam seus preços, inicialmente, aplicado aos custos (já levando em consideração economias de escala, escopo, etc.) uma taxa de retorno que acreditem ser a mínima desejada, porém, adicionam ainda um fator subjetivo: o valor que eles imaginam que o consumidor dará àquele bem ou serviço.

É normal, porém, que as empresas errem na determinação de preços. Quando falta produto, é porque eles subestimaram o preço. Assim, as pessoas acreditaram que o valor intrínseco daquele produto é maior que o preço pelo qual a empresa o colocou na prateleira. Neste caso, a demanda superou a oferta e muitos potenciais consumidores ficaram sem consumir.

Por outro lado, quando os estoques estão cheio, é porque o preço foi estabelecido acima daquilo que as pessoas estavam dispostas a pagar, supondo que foi feito estudo de mercado sobre o potencial de consumidores que existiam para determinado bem ou serviço.

Como exemplo do primeiro caso, falta de produto, podemos citar os estacionamentos privados em grandes cidades. Apesar de o motorista achar que o preço para parar seu carro é absurdamente alto, ele está disposto a fazê-lo. Do contrário, teria ido ao seu destino de transporte público. Enquanto, quando não existem vagas disponíveis, o preço está errado. Os donos e administradores de estacionamento deveriam elevar o valor cobrado, trazendo o mercado de volta ao equilíbrio.

No segundo caso, quando há excesso de produto, logicamente, o preço ofertado é maior do que os consumidores estão dispostos a pagar. Mas nenhum gerente de Marketing ou Diretor de empresa vai admitir que “errou” na determinação do preço. A estratégia que se usa, justamente pois mexe com a consciência do consumidor, é a de “desconto,” tentando mostrar que o produto está sendo vendido abaixo do seu preço justo, e que agora é a hora de adquiri-lo. Analisando este caso mais de perto, é fácil perceber que o preço antigo não é o justo, pois se o fosse, haveria compradores para todo o estoque do vendedor. E, seguindo a lógica do capital, se é possível vender por $ 2,00, por que vender por $ 1,00?

 

Sendo assim, aproveite o desconto para adquirir aqueles bens de consumo que você acha que estavam caros demais e cujos preços lhe pareciam “jogar dinheiro fora.” Ao entrar em liquidação, um produto pode passar a atingir o preço que VOCÊ acha justificável pagar para suprimir um desejo pessoal. Porém, tenha muito cuidado ao adquirir produtos com desconto com objetivo de investimento. Se você comprar um produto com 30% de desconto do valor de tabela e com receita garantida pelo vendedor, abra o olho. Ela só fez isso pois não conseguiu vendê-lo pelo preço “cheio” nem alugá-lo por um valor “justo.”

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