A ECONOMIA E A (IR)RACIONALIDADE DO PENSAMENTO HUMANO

O objetivo da Economia é simples. Sua aplicação, nem tanto.

Quando estava na Faculdade, um professor gostava de tirar sarro dos outros cursos. Natural, visto que cada um defende o seu. Ele dizia que não entendia o pessoal da Contabilidade, que passava 5 anos estudando “Crédito” e “Débito”. Os alunos do curso de Economia se matavam de rir.

Olhando em perspectiva, nós, Economistas, passamos 5 anos estudando apenas duas coisas, também: oferta e demanda. Toda a Economia gira em torno disso e do seu efeito, o equilíbrio, ou desequilíbrio, de mercados.

Oferta e demanda de moeda, bens, serviços, alimentos, mercado de trabalho, divisas, investimentos. De tudo. Por isso disse no início do texto que o objetivo da Economia é simples. Esse objetivo é entender a oferta e demanda de bens e serviços e fazer com atuem de forma que o mercado esteja em equilíbrio. Ou seja, que a oferta seja igual a demanda.

Na prática, isso nunca acontece. Nunca aconteceu e nunca vai acontecer. Porém, todos os agentes econômicos trabalham, consciente ou inconscientemente, para que as “ofertas” e as “demandas” sejam (praticamente) iguais.

Na moeda, o governo atua para que a quantidade de dinheiro em circulação seja suficiente para suprir a necessidade das pessoas. Se ele tivesse sucesso em equilibrar este mercado, a inflação seria zero. Como nem é interessante que isso ocorra, ele monitora a circulação de moeda e abastece ou retira do mercado caso a inflação esteja muito baixa ou muito elevada, respectivamente.

Da mesma forma, quando o desemprego está em alta, como no Brasil, o governo procura adotar medidas que estimulem as empresas, ou ao próprio governo, contratarem mais pessoas, ajustando salários e o bem estar social.

No lado “privado” da Economia o mesmo acontece. Vamos supor que uma empresa tenha inventado um novo produto, o tenha comercializado por um bom período e esteja tendo lucro com ele. Neste momento, apenas ele oferta este produto. Isto é um monopólio.

Outros atores econômicos identificam que aquele é um bom mercado e que a empresa não está conseguindo atender todas as pessoas que desejam ter aquele produto. Por isso, a primeira empresa aplica preço elevados e tem lucros altos.

Novos concorrentes entram no mercado, oferecendo exatamente a mesma coisa. A demanda continuou a mesma, porém, há mais produtos no mercado. Logo, o preço deste produto reduziu, pois os clientes passaram a poder escolher de quem compram.

O processo se repete. Mais e mais concorrentes entram até um ponto em que o preço está baixo demais. As empresas que não conseguem prover aquele produto pelo novo valor, pois não são eficientes em termos de custos, saem do mercado, o preço volta a se elevar (pois reduziu-se a oferta), e o mercado está “próximo ao equilíbrio.”

A parte “complicada” do processo de equalização da economia está em os Governos e os agentes privados em preverem o que acontecerá na economia global (haja vista que todos os países podem, em maior ou menor grau, oferecer seus bens e serviços a outros países) e com todas as “ofertas e demandas” que podem influenciar o seu negócio.

É por isso que o curso de Economia não é classificado como uma ciência exata. É uma ciência, de fato, pois é um estudo constante de como os agentes econômicos (pessoas) tomam suas decisões e como elas influenciam os objetivos dos Governos e das Empresas.

Estudando Economia aprendi que entender de psicologia é tão importante quanto entender de matemática. O difícil é criar fórmulas para representar a (ir)racionalidade do pensamento humano.

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