7 DICAS PARA COMEÇAR A INVESTIR DO ZERO

Com todas as incertezas, volatilidades e mudanças na Economia mundial, mais especificamente a Brasileira, tenho sido perguntado por algumas pessoas aonde investir. Particularmente, um ex-aluno me questionou esta semana “quero começar a investir. Por onde começo?”

Em primeiro lugar, para uma pergunta genérica, não pode haver uma resposta específica. A recomendação de investimentos não é tirada de um almanaque com perguntas e respostas. Ela é, antes de mais nada, individualizada. O que serve para fulano não funciona para ciclano. Da mesma forma, não poderia responder esta pergunta pensando no meu perfil de investidor. Isto será determinante para o produto em que colocar os recursos.

A relação do investidor com dinheiro é fator determinante para a escolha do portfólio. Eu, por exemplo,  encaro “dinheiro” como meio, e não como fim. Normalmente, pela minha experiência, aquelas pessoas que fazem tudo para ter dinheiro sofrem muito quando o perdem, independentemente da quantia, enquanto aquelas que enxergam os recursos monetários apenas como uma forma de se alcançar algum objetivo, acabam por ter uma relação mais “tranquila” com a moeda.

No meu caso, eu já perdi muitas vezes. Já perdi pouco e já perdi muito. Inclusive, perdi dinheiro que nem tinha. Mas, com o tempo, aprendi que o dinheiro não pode ser o objetivo final. Ele é, na verdade, uma das formas de se conquistar aquilo que queremos. E o entendimento disso é crucial para determinar uma carteira de investimentos.

Dito isto, voltamos à questão “por onde começar a investir.”

Não diversifique

De forma genérica, penso que o primeiro erro a se evitar é o da diversificação com poucos recursos. A realidade nua e crua é a de que com menos de R$ 1 milhão é muito difícil, e até pouco eficiente, diversificar. Para não ser tão radical, um valor mínimo a se ter para pensar em ter uma carteira com diversos ativos é de R$ 500.000,00. O motivo é que quanto mais se tem, melhores taxas e negociações são possíveis de ser alcançada.

Em instituições financeiras, é muito pouco provável que com menos de R$ 100.000,00 se consiga algum benefício. Valores acima disso começam a permitir algum grau de controle sobre a situação, mas o benefício será marginal. Além disso, ao optar por produtos que contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos, caso a instituição quebre, o investidor terá até R$ 250.000,00 reembolsados. Ou seja, com menos deste valor, você poderá colocar todos os ovos na mesma cesta que seu risco de crédito estará coberto.

Procure opções seguras, com bom custo/benefício

Em dito isto, para começar a investir, sugiro que se procure o investimento de menor risco com melhor retorno líquido de custos. Neste sentido, com a taxa de juros no patamar atual, a poupança fica fora de todos os critérios. Ela é a que pior paga. Se descontada a inflação, sua rentabilidade é negativa.

Um dos produtos de menor risco é a renda fixa pós-fixada. Isso por que os ativos pré-fixados, em momentos de elevação de taxa de juros, podem sofrer desvalorização no preço unitário, reduzindo seu patrimônio no curto prazo. Logicamente, caso a taxa de juros caia, os títulos pós-fixados renderão menos. Mas é justamente por isso que têm menor risco. Não faria sentido algum um produto ter menor risco e pagar mais. Iria contra 300 anos de teoria econômica.

Em todos os bancos, existem fundos de investimento “XPTO DI”. A sigla “DI” significa que estão indexados à taxa de Certificados de Depósito Interfinanceiro que, em última instância, está atrelada à taxa básica da economia, a SELIC.

São fundos simples, que não te deixarão rico mas que cumprirão seu papel. O ponto é identificar qual tem melhor relação risco/retorno. Observar se o fundo pode investir em títulos de crédito privado é muito importante. Neste momento de início de poupança, não é recomendado aplicar neste tipo de produto, pois não são, em geral, garantidos pelo FGC.

Procure a melhor rentabilidade líquida de custos

A taxa de administração cobrada é um fator importante, porém, não determinante. Quero dizer que, dois fundos com mesma possível composição de carteira, podem ter duas taxas de administração diferente. Um pode cobrar 1% e outro 2%. Automaticamente, devemos escolher o mais barato? Lógico que não. Outra coisa que aprendi na vida é que escolher pelo preço é (quase sempre) um grande erro.

Na lâmina dos fundos, que deve apresentar a rentabilidade dos últimos 12 meses, você deve observar qual teve mais consistência. Se o gestor que cobra 2% entregou melhores resultados (e os resultados apresentados já são LÍQUIDOS de todos os custos), então ele merece cobrar mais. E você deve aplicar naquele fundo. Agora, se além de cobrar mais caro, ele apresentar piores resultados, fuja.

Poupe até poder investir

Costumo distinguir poupança e investimento da seguinte forma: o primeiro é o dinheiro que você guarda para o caso de algo der errado você ter um colchão de segurança. Neste caso, deve-se tê-lo aplicado em produtos de alta liquidez e baixo risco. No caso do investimento, ele só acontece quando você está preparado para eventuais perdas de curto prazo, em função de estresse de mercado.

Para iniciar “investimentos”, ou seja, colocar seu dinheiro em risco com expectativa de ter uma rentabilidade acima da renda fixa no futuro, sempre recomendo que se tenha o equivalente à, pelo menos, 6 meses de suas receitas totais (salário, distribuição de lucro, pro-labore, etc.). É um bom fator de segurança, e lhe permite algum conforme em momentos extremos.

Aplique em renda variável de forma consolidada e constante

No caso de ativos negociados em bolsa, procure empresas que já estão consolidadas no mercado e que tenham boas perspectivas de crescimento no longo prazo. Assim, você poderá manter sua carteira constante e reduzir seus custos de transação (corretagem com compra e venda de ativos). A verdade é que economias passam por ciclos. A empresa que está ruim hoje, pode estar boa no próximo semestre e vice-versa. Porém, a não ser que sua carteira seja verdadeiramente robusta, e que haja uma equipe para gerenciá-la para você, o trabalho de fazer troca de ativos é desgastante e muitas vezes frustrantes.

A seleção de boas empresas lhe permitirá fazer um planejamento de compra de ações. Assim, determinar um dia específico do mês e aplicar um valor fixo em Reais, é uma estratégia muito produtiva. Desta forma, se a empresa é realmente boa, porém, o mercado não está favorável, com o mesmo valor investido você poderá comprar mais ações, em um mercado de baixa. O resultado disso é que, quando os ativos começarem a melhorar, você terá uma quantidade maior, e seu retorno será mais alto.

Em empresas “promissoras”, deixe procure opções de Private Equity

Algumas empresas começam a negociar suas ações em bolsas de valores em momentos muito embrionários de sua formação. Sendo assim, não possuem ainda um mercado consolidado. Desta forma, suas ações sofrerão maiores ataques especulativos. Quaisquer notícias podem influenciar positiva ou negativamente na empresa. Porém, sem um histórico concreto, será difícil avaliar se há excessos ou não.

Com isso, não quero dizer que você não deva investir em empresas em fases iniciais de desenvolvimento. Muito pelo contrário, deve-se fazê-lo com o melhor mecanismo. Por exemplo, participar de start-ups pode ser uma saída muito viável. O risco de o negócio dar certo ou não é semelhante, entretanto, como não têm ações negociadas em Bolsas, você não sofre com as valorizações e desvalorizações do dia-a-dia. Além disso, poderá ter maior controle sobre a empresa que adquirindo ações de companhias de capital aberto.

Estude bastante

Investir é um processo contínuo de aprendizado. Por isso, aplique em conhecimento, acima de tudo. Livros, filmes, jornais, revistas, cursos (de curta ou longa duração). O importante é não deixar seus recursos, completamente, na mão dos outros. Algum grau crítico, todos devem ter.

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