6 CUIDADOS ANTES DE INVESTIR EM UM NEGÓCIO

Há algumas semanas eu escrevi um artigo entitulado “Como Financiar seus Projetos“, direcionado àqueles que possuem ideias ou projetos de investimentos e precisam de recursos para colocá-los em prática.

Hoje, porém, me comunico com quem está com recursos financeiros disponíveis (não importa quanto) e busca, ou lhe foi oferecido, investimentos para diversificar sua carteira. Estas pessoas precisam, também, tomar alguns cuidados e saber o que analisar em uma proposta de investimento. Aqui vão 6 dicas essenciais para quem deseja investir em uma empresa ou projeto.

1 – A história faz sentido?

O principal ponto quando se analisa um investimento é entender se a história que o dono da ideia ou do projeto conta faz sentido. Não se trada de identificar se há mercado consumidor ou não. Se você deseja entrar em algo que tenha consumidores fiéis e quantificados, você vai ficar de fora de praticamente todas as oportunidades de inovação.

Muitos produtos foram criados sem saber ao menos se os potenciais usuários desejavam aquilo. Ninguém nunca tinha pensado em ouvir música andando na rua quando Sony inventou o walkman. Porém, a história, neste ponto, era factível. E o produto foi um sucesso.

Outro ponto importante é o tipo de diferencial competitivo que esta empresa/projeto apresenta. Ser apenas mais um concorrente fará com que seu único trunfo para entrar no mercado seja um preço mais baixo (com qualidade igual, ou menor) do que os produtos atuais.

Entrar em um mercado sensível ao preço é muito difícil e arriscado. As empresas que lá já estão tem muito mais capacidade de trabalhar durante um período de tempo com margens menores apenas com objetivo de “matar” novos entrantes. Ao contrário, empresas inovadoras, ou com diferenciais competitivos (e comparativos) bem definidos podem justificar melhor a oportunidade de arriscar.

2 – Quais os riscos do negócio?

Tão importante quanto os custos do projeto são o riscos associados a eles. É sempre bom entender o que pode dar errado.

E algo sempre pode dar errado.

Vamos analisar os imóveis, por exemplo.

Tido para muitos como uma oportunidade que nunca dará prejuízo e nunca deixará de ter seus preços elevados, na última década tivemos dois grandes exemplos de como algo que, aparentemente, era imune a perdas pode, realmente, fazer você perder todo seu investimento.

A crise de 2007-2010, que atingiu principalmente os países do hemisfério norte, foi causada justamente pelos imóveis. Um excesso de oferta e uma capacidade de compra artificial (pela abundância de crédito) fez com que, de uma hora para outra, muitas propriedades perdessem mais de 50% do valor que vinham sendo negociadas. Em outros casos, simplesmente não havia liquidez suficiente para se vender o imóvel.

Mais recentemente, o Brasil iniciou uma crise como não se via desde 1930. Novamente, os imóveis sofreram muito. Mesmo tendo origens diferentes, o mercado imobiliário encontrava-se com características semelhantes: as construtoras lançando prédios atrás de prédios “enganando-se” pelo excesso de crédito que permitia que as famílias continuassem a adquirir imóveis.

Quando a economia freiou, o desempregou subiu e o crédito secou, o que se viu foi um número enorme de construtoras em maus lençóis, pessoas sem capacidade de pagamento, e um estoque de imóveis absurdamente elevado. Resultado: para se desfazer do ativo, era (e está sendo, até a publicação deste) normal ver descontos de até 50% no valor do imóvel.

Então, existem apenas duas coisas em economia que são certas:

1 – não existe lanche grátis

2 – não existe nenhum investimento sem risco.

Isso não quer dizer que você não deva investir, até por que, isso também apresenta riscos (como a inflação, por exemplo). O mais importante em conhecer os riscos é saber como mitigá-los e como se comportar, ou seja, qual estratégia de saída adotar caso eles se realizem.

3 – Para aonde vai o investimento na empresa?

Uma das grandes questões que se deve esclarecer é onde será aplicado o recurso integralizado no negócio. Será para pagamento de dívidas? Expansão? Compra de equipamentos?

Ao entender que “a história faz sentido”, é possível interpretar que a empresa gerará mais recursos do que os utilizará, e dai virá o lucro e o fluxo de caixa. Porém, como parte do “fazer sentido” também está a utilização dos recursos.

Muitas vezes, empresários  e empreendedores, pelo simples medo de irem ao banco buscar financiamento, chamam pessoas para serem seus sócios. Contam como o negócio é muito bom, porém, precisam pagar umas contas para continuarem a crescer.

Convencem o investidor, ele coloca o dinheiro, as dívidas são pagas e a empresa continua no mesmo lugar, sem trazer o retorno esperado.

Do contrário, uma empresa que, mesmo em fase embrionária, se mostra viável, muitas vezes precisa de um reforço de caixa extra para poder comprar mais matéria prima para vender mais. Ou, no caso de serviços, investir mais em pessoas e marketing para poder ampliar sua atuação.

Questionar o que será feito com o dinheiro investido e qual o resultado que a empresa terá com isso é tão importante quanto enteder que aquele é um bom negócio.

4 – Além do seu dinheiro, quais outras fontes de financiamento do projeto?

Neste ponto, é muito bom saber como o projeto será financiado. Uma parte dele será de capital próprio (equity, na nomenclatura em inglês). Porém, devem existir outras fontes, como empréstimos, financiamentos e a própria estrutura de vendas da empresa.

Uma empresa que se financia exclusivamente com capital próprio tende a ser menos eficiente pois o custo é muito elevado. Além do seu investimento precisar recuperar o que você ganharia em uma aplicação de menor risco (como títulos do governo por exemplo), você ainda precisa ser recompensado pelo risco do negócio.

Então, é natural e totalmente compreensível que uma empresa financie-se com capital de terceiros, também. Desde que o gestor financeiro faça uma boa escolha e gestão destas fontes de recursos.

5 – Qual a porta de saída?

Como eu falei no meu artigo anterior, os investidores querem saber quanto dinheiro colocam, qual retorno esperado e como recebem seu dinheiro de volta. Então, é preciso entender a porta de saída, seja ela a principal ou de emergência.

O entendimento dos riscos vai direcionar diferentes possibilidades para e empresa. Não é perder o foco daquilo que deve ser feito. Porém, o investidor deseja ter alguma espécie de garantia de que, em tudo dando errado, para onde poderá correr. O pior, neste caso, não é perder tudo o que se investiu, mas se tornar responsável por outros passívos que não estava relacionados ao investimento, como dívida bancária, trabalhista, tributário.

Há sempre uma forma de proteger o investidor. E se ele não se sentir seguro, ele não colocará dinheiro na sua mão.

6 – Não mate o empreendedor

O capitalismo é fascinante pois tem espaço para todos. Há algumas pessoas que a única coisa que possuem é o dinheiro. Elas não tem boas ideias, não tem vontade de tocar um negócio, ou não querem participar do dia a dia de uma empresa. Sua única contribuição é o capital.

Da mesma forma, muitas pessoas não tiveram acesso a recursos financeiros, Porém, são extremamente criativas e produtivas e podem desenvolver algo que seja bom para todos: para o criador, para o financiador e para o usuário.

E é ai que muitos investidores erram. Por acharem que, sendo o detentor dos recursos, eles podem exigir o que quiserem, fazem propostas tão draconianas que acabam matando o negócio, e o empreendedor que trouxe a ideia.

Quem pensou no novo projeto deve ter sua parte reservada do sucesso. E tem que ser uma parte substancial, pois ele é, ou se tornou, empreendedor justamente pois não desejava mais ser apenas um funcionário.

Eu já ví investidores tomando quase 100% da empresa por fazer o investimento e isso fez com que aquele responsável por tocar a empresa se tornar desmotivado, e o negócio minguou.

Lembre-se que o dinheiro é infinito, o governo pode imprimir o quanto quiser. Porém, a criatividade não. Boas ideias aparecem apenas de vez em quando.

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