2025

Dez anos. É muito? Pouco? O suficiente? Quando penso que tenho 31 anos anos e que em 10 anos terei 41, às vezes tenho a impressão que dez anos será amanhã. Me parece que não é tempo o suficiente para fazer tudo o que desejo. Para conquistar tudo o que quero. Para realizar todos os sonhos. Ao mesmo tempo, quando olho para trás, tentando me lembrar aonde eu estava há 10 anos, vejo que tanto já aconteceu; tantas reviravoltas na vida, que uma década parece uma eternidade. Afinal, o que são dez anos?

Em 2005, eu estava na quinta fase do curso de Economia. Era metade do caminho. Faltavam dois anos e meio para me formar e parecia uma eternidade. Ansioso como sempre, queria que a vida começasse logo. Já tinha emprego. Trabalhava como Assistente Financeiro em uma Cooperativa de Crédito no departamento de gestão de recurso. Ajudava a gerir uma carteira de R$ 350 milhões de Reais em investimentos de renda fixa. Ganhava R$ 1.200,00 por mês. Se atualizarmos pela inflação, era como ganhar R$ 2.140,00 hoje. Para alguém morando com os pais, sem custos, e na metade da faculdade? Uma fortuna! Fazia “esquenta” para festas em postos de gasolina comprando o “kit night”: uma garrafa de Rajska, 2 litros de Coca-Cola e uma saco de gelo. Era o suficiente. Ia para academia três vezes por semana, e tinha muitos planos na cabeça. 

Naquela época, Economia não era um curso da “moda”. Foi pré-crise. Foi pré-crescimento brasileiro. Era a metade do governo Lula. E como o mundo crescia, e o Brasil apenas acompanhava, tomando como exemplo o próprio Presidente, não precisava ser Economista para saber que o Brasil estava bem. Poucas pessoas entendiam do assunto. Aliás, hoje ainda poucas pessoas entendem, mas muitas opinam. Era uma época pré Ricardo Amorim. Lembro-me de uma vez, num desses esquenta de posto, que uma pessoa me perguntou, com ar de desdenho, o que fazia um Economista. Eu respondi que “o Presidente do Banco do Central é Economista.” Riram de mim. Naquele momento, me parece que 99% das pessoas não acreditam em quem sonha grande. Eu ignorei. Como sempre.

Há dez anos eu tinha outros valores. Estava deslumbrado com o mundo novo que conhecia ao começar a ter algum nível de independência. Dirigia meu primeiro carro, um Palio básico que havia ganhado dos meu pais, que trabalharam muito para poder dar aos seus filhos o que eles não tiveram. Quantidade era, muitas vezes, melhor do que qualidade. Trabalhava duro. Tinha pique para muitas coisas, e não tinha paciência para muitas outras. Era explosivo o suficiente para meus amigos me chamarem de “Lula Molusco”. Não me importava com a opinião dos outros e tinha cabelo, apesar do gene da calvice começar a mostrar a que veio.

Dez anos atrás escutava Lasgo e Darude; era sócio do Baturité; conseguia ir para festas na quarta-feira e trabalhar normalmente na quinta. Bati meu recorde de festas, foram 11 dias seguidos. Trocava o dia pela noite e a família pelos amigos. Era irresponsável em algumas coisas e muito confiável em outras. Era sempre 8 e 80.

Porém, em algum momento eu mudei. Não na essência, mas naquilo em que eram características da fase da vida. Os valores de hoje são outros. Família sempre antes de qualquer coisa. Dinheiro é o bem menos valioso da vida. Tão insignificante, que a cada 30 dias você recebe um punhado dele em sua conta bancária. Não ganhamos um pai, uma mãe ou um irmão a cada 30 dias. Não fazemos amizades eternas a cada ciclo de 4 semanas. Não descobrimos o amor da nossa vida 12 vezes por ano.

Em dez anos, me formei duas vezes; montei duas empresas; fui empregador e fui empregado; fui demitido e tive 3 empregos ao mesmo tempo; tive reservas de 6 dígitos e quebrei o suficiente para dever uma apartamento de 2 quartos em uma boa região de Florianópolis; tive relacionamentos; me casei; fiz 2 Ironman Brasil; tive bandas; fui sedentário; engordei 10 quilos e emagreci tudo novamente; já tive programa de televisão; fiz 2 tatuagens; visitei Portugal, França (2x), Inglaterra (2x), Croácia (com uma passagem de 1 hora pela Bósnia), Escócia, Alemanha, Argentina, Uruguai e Paquistão; aprendi a falar 3 línguas; sonhei em morar em Dubai e me mudei para Miami. Uma década, afinal, é bastante, ao mesmo tempo em que não parece o suficente. Aonde estarei em 2025? Não sei. Só quero viver um dia após o outro.

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